Hoje, queridas leitoras, tive o prazer de entrevistar Audrey Telliam, cofundadora da plataforma Comp-hair. Esta plataforma tem como objetivo dar-nos a conhecer produtos capilares especialmente desenvolvidos para cabelos afro. Assim, podemos compará-los e adquirir produtos adequados aos nossos cabelos. A Comp-hair também oferece diagnósticos capilares, bem como workshops para pais e filhos.
Olá Audrey! Antes de mais nada, apresenta-te em poucas palavras.
Olá! Chamo-me Audrey Telliam. Tenho 30 anos e sou empresária desde 2014. Antes de criar a Comp-hair, fui infografista numa empresa. É uma plataforma de venda de produtos capilares e de conselhos para pessoas com cabelos crespos, encaracolados e frisados. O meu objetivo era e é sempre valorizar estes tipos de cabelo, dar conselhos para os realçar e, claro, propor produtos adaptados.
Como te surgiu a ideia de criar workshops de cuidados para cabelos crespos?
Infelizmente, fechei a plataforma há 15 dias para me dedicar inteiramente aos meus workshops. Com o tempo, percebi que era o que mais me agradava. Gosto das relações humanas e de ajudar as pessoas a ter uma melhor autoestima. A venda de produtos ainda é feita, mas através dos workshops. Faço questão de salientar que vendo exclusivamente marcas francesas, para apoiar o empreendedorismo em França. Quero provar que nós, franceses, fazemos produtos tão bons quanto os dos Estados Unidos. No que diz respeito aos meus workshops, tenho 3 fórmulas diferentes, todos os cenários estão representados para satisfazer cada cliente: em primeiro lugar, o workshop em vídeo. É um coaching em vídeos para dar informações essenciais sobre o cabelo crespo, seguido de um coaching online para fazer um balanço e rever tópicos específicos. Também proponho workshops em grupo. Este workshop é reservado a grupos de 4 a 6 pessoas em Paris e na região parisiense, perto da periferia. E, por fim, o workshop individual. Vou ao encontro das pessoas e analiso a sua rotina, os seus hábitos e os seus gestos para dar os meus conselhos.
Quanto a ti, sempre usaste o cabelo natural?
Fiz o meu primeiro alisamento no liceu. Continuei até 2012. Agora sou natural há 5 anos! Descobri o universo nappy no YouTube. Interessei-me de imediato. Mas o que é isso? O nappy ou nappy hair é um regresso assumido aos cabelos naturais que, na linguagem corrente, se assimila ao corte afro. É uma tendência enraizada há muitos anos nos Estados Unidos que está a regressar com força em França há cerca de cinco anos. Também se tinge de uma reivindicação por parte das mulheres de cor de assumir a sua cabeleira natural e de se libertar das normas impostas pela cultura ocidental.
Voltando aos teus workshops, que mensagem queres transmitir aos teus participantes?
Quero transmitir duas mensagens, que me parecem indispensáveis. A primeira é o lado técnico. Reparei que os pais se focavam nos produtos que punham no cabelo dos seus filhos, e não nos gestos. O objetivo é, portanto, adquirir os bons gestos para evitar choros e stress e, assim, evitar danificar o cabelo.
Num segundo momento, faço questão de realçar a autoestima. Na minha opinião, independentemente do tipo de cabelo que se tem, é preciso aprender a aceitar-se tal como se é.
O workshop decorre em 3 etapas. Primeiro, uma apresentação do funcionamento do cabelo crespo e encaracolado e das suas particularidades. Depois, apresento as etapas de uma rotina capilar eficaz e falamos dos produtos. Por fim, aplicamos os conhecimentos na criança ou numa cabeça de manequim. O público é variado: mães negras, brancas, até tive pais. O denominador comum é esta vontade de compreender um cabelo que tem problemáticas e necessidades específicas, de valorizar este património, não procurar desnaturalizá-lo. E que, no final, o seu filho tenha orgulho do que é, pois este trabalho, esta aceitação de si, começa desde a infância.
Tornaste-te mãe de uma menina há algumas semanas: como vais fazer para que ela tenha confiança em si?
Pões-me numa situação difícil! Ela ainda é pequena, mas tudo começa pela benevolência que lhe transmitimos. É preciso também ter atenção às palavras que usamos. É preciso saber tranquilizá-la, mostrar-lhe a diversidade do mundo através de viagens, leitura, etc. Penso que isso lhe dará uma boa base para enfrentar a realidade a que será confrontada.
Quais são os teus futuros projetos?
Por enquanto, vou continuar a desenvolver a Comp-Hair. Vou estudar o meu novo posicionamento relativamente aos workshops de cabeleireiro, o que já é bastante! Também pretendo escrever mais artigos através do meu blog pessoal!